Nem mesmo o mais desavisado passa pelas ruas da cidade sem perceber a grande quantidade de andaimes que denotam uma Berlim em construção. Mas não é destas obras que quero falar aqui. A cidade é um celeiro de artistas e por todos os lados nos deparamos com criativos expondo seus dotes.
Alexander Platz é um bom exemplo. A praça vira palco para talentosos. Certo dia passei por lá apressada e vi um jovem desenhando com giz de cera no chão. Trabalho bem-feito, cheio de detalhes, parei para observar. Depois de um tempo acompanhando o nascimento da obra, tive que seguir. A caminho de casa, fiquei pensando como a arte de rua é fugaz, passageira. Provavelmente amanhã aquela obra estaria desbotada, apagada, coberta de cinza de novo.
Foi o que aconteceu. Dias depois, nenhum sinal da figura de giz. No mesmo espaço, um grupo de cantores se apresentava para os transeuntes. E assim segue a vida em Berlim...
Natalie Reinoso - TV Globo / Rio de Janeiro
Donnerstag, 9. Mai 2013
Berlim você me mata
Leonardo Lichote - O Globo / Rio de Janeiro
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um
23:36
Mittwoch, 8. Mai 2013
A vida, sem ensaios
Uma peça de teatro sem atores é possível? Em Berlim, sim! Nosso grupo participou de um espetáculo em que a cidade era a protagonista. Usando fones de ouvido e guiados apenas pelas vozes dos narradores da peça "Remoto Berlin", nós e mais cerca de 50 espectadores fomos orientados a seguir um roteiro milimitricamente planejado pelo coletivo Rimini Protokoll, em cooperação com o teatro HAU, para nos surpreender.
O balé sincronizado das luzes dos semáforos e das sirenes nos fez observar a verdadeira peça de teatro que os berlinenses encenam todos os dias. Um convite para apreciar a beleza que o cotidiano apressado que uma cidade grande como esta nos faz ignorar. Os carros, as bicicletas, os carrinhos de bebê. Os que correm, os que nos ignoram, os que dão risadas. Depois de um flash mob surpreendente, ficou difícil de saber se nosso grupo com fones de ouvido gostou mais de ser espectador ou de ser ator.
Carolina Oddone - TV Globo / Rio de Janeiro
O balé sincronizado das luzes dos semáforos e das sirenes nos fez observar a verdadeira peça de teatro que os berlinenses encenam todos os dias. Um convite para apreciar a beleza que o cotidiano apressado que uma cidade grande como esta nos faz ignorar. Os carros, as bicicletas, os carrinhos de bebê. Os que correm, os que nos ignoram, os que dão risadas. Depois de um flash mob surpreendente, ficou difícil de saber se nosso grupo com fones de ouvido gostou mais de ser espectador ou de ser ator.
Carolina Oddone - TV Globo / Rio de Janeiro
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
um
08:33
Dienstag, 7. Mai 2013
Ou não...
Natalie Reinoso - TV Globo / Rio de Janeiro
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
um
12:32
Here comes the sun...
Parece que o sol veio para ficar em Berlim. Fez um fim de semana lindo por aqui. Os casacões ficaram no armário e deram lugar aos vestidos, shorts e sandálias. O povo saiu pelas ruas serelepe. Faltou gramado para tamanha felicidade. Alguns até aproveitaram para dar o pontapé inicial no bronzeado.
Dá para entender... O inverno foi rigoroso e estava custando a se despedir. Este é só o começo de uma temporada quente, de dias longos. É tempo de recuperar a vitamina D e dar aquele descanso para a calefação. E para quem veio dos trópicos como eu e estava enfrentando um pouco de dificuldade com o frio, agora fica ainda mais feliz!
Natalie Reinoso - TV Globo / Rio de Janeiro
Dá para entender... O inverno foi rigoroso e estava custando a se despedir. Este é só o começo de uma temporada quente, de dias longos. É tempo de recuperar a vitamina D e dar aquele descanso para a calefação. E para quem veio dos trópicos como eu e estava enfrentando um pouco de dificuldade com o frio, agora fica ainda mais feliz!
Natalie Reinoso - TV Globo / Rio de Janeiro
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
um
07:46
Sonntag, 5. Mai 2013
Acústica é apelido
Meu post chega um tanto atrasado. Mas não podia deixar de registrar, mesmo em poucas linhas, o quanto foi impactante assistir a um concerto da Filarmônica de Berlim. Antes mesmo da música começar, o interior do edifício chamava a atenção pelo cuidado em cada detalhe planejado para uma boa acústica. É muito bom ver a música ser bem tratada.Na plateia, enquanto os músicos ainda se posicionavam no palco, não resisti e liguei para o Rio via Skype. Do outro lado, um amigo músico pode ver, mudo, aquela espécie de templo graças a uma volta de 360 graus da câmera. Segundos tempos, ele me envia uma mensagem: "Lacrimejei". A esta altura, o silêncio do lugar dizia que a orquestra ia começar a tocar. Só deu tempo de responder: "Eu também".
Viviani Fernandes de Lima - Revista de História da Biblioteca Nacional / Rio de Janeiro
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um
10:29
Samstag, 4. Mai 2013
Sobre o ex-muro e um ex-campo de concentração
Quando a gente lê nos livros sobre o passado da Alemanha, fica tentando imaginar como tudo aconteceu. Documentários e filmes ajudam a dar uma noção mais visual da época. Mas pisar no local que virou história é o que dá a real dimensão sobre o que se passou por ali. Lembro que fiquei impressionada com a distância entre os dois muros que separavam Berlim. Vendo de perto se entende a altura dos dois muros, como eram espalhadas as armadilhas que ficavam no meio, como eram as torres onde os guardas mobitoravam o espaço e por aí vai...Fiquei pensando quão corajosos foram aqueles que tentaram cruzar as barreiras num ato de desespero. Sempre soube que seria terrível visitar um ex-campo de concentração. Difícil demais imaginar que pessoas se reuniram para arquitetar, planejar estrategicamente algo tão maquiavélico. Fomos a Buchenwald, uma enorme área, que fica a oito quilômetros de Weimar. Lá não há barreiras para o vento gelado e hoje era um dia de primavera. Ali muita gente morreu de frio, outros não resistiram à fome, ou foram queimados, estrangulados, ou mordidos por cachorros. Para ali, foram levados judeus, homossexuais, ciganos e até crianças. A "justificativa" era de que essas pessoas precisavam ser reeducadas.
Natalie Reinoso - TV Globo / Rio de Janeiro
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
um
00:59
Yoko feelings
Na manhã dessa quarta-feira, eu e duas amigas aproveitamos para dar uma espiada no museu Schirn Kunsthalle, em Frankfurt. O espaço abriga uma exposição em homenagem aos 80 anos de Yoko Ono. A retrospectiva reúne objetos, fotos, textos, músicas. É uma surpresa compreender como é rica a obra da artista que ficou um tanto oculta. Sabia-se que Yoko era a mulher do beatle John Lennon, mas pouco se conhecia dos seus trabalhos pessoais.
Algumas obras são interativas. É muito interessante fazer parte da criação, andar por um labirinto transparente, mergulhar em panos pretos ou mexer num jogo de xadrez monocromático. Também me chamou atenção uma reunião de garrafas com água e etiquetas que traziam nomes como Einstein, Hemingway, entre outros. Ao lado, um texto dizia que todos somos água em diferentes recipientes. E um dia vamos evaporar juntos…
Natalie Reinoso - TV Globo / Rio de Janeiro
Algumas obras são interativas. É muito interessante fazer parte da criação, andar por um labirinto transparente, mergulhar em panos pretos ou mexer num jogo de xadrez monocromático. Também me chamou atenção uma reunião de garrafas com água e etiquetas que traziam nomes como Einstein, Hemingway, entre outros. Ao lado, um texto dizia que todos somos água em diferentes recipientes. E um dia vamos evaporar juntos…
Natalie Reinoso - TV Globo / Rio de Janeiro
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
um
00:43
Freitag, 3. Mai 2013
O jornalista e a secretária
Na coletiva de imprensa para anunciar que o controle da passagem do Leste para o Oeste ficaria mais frouxo, Günter Schabowsky, porta-voz da DDR, estava nervoso. Ele não tinha tido tempo para se preparar direito. O anúncio de mudanças era uma tentativa desesperada da Alemanha Oriental diminuir a pressão de um povo cada vez mais insatisfeito com a falta de liberdade. Um jornalista italiano tinha chegado atrasado e acabou tendo que sentar no chão. Levantou a mão para fazer uma pergunta.
O porta-voz estava dizendo que mais gente ia ter permissão para visitar a Alemanha Ocidental, que o controle dos checkpoints seria menos rigoroso. Com a mão erguida sem ninguém atender, o italiano perguntou assim mesmo "Mas quando tudo isso vai começar a valer?". O porta-voz ficou ainda mais nervoso. Mexeu aqui e ali nos seus papéis e, sem saber o que dizer, acabou falando: "imediatamente".
A notícia circulou rápido e os moradores do Leste foram para as ruas. Soldados que cuidavam do muro até ligaram para o Gorbachev para saber o que fazer, mas a secretária disse que ele já estava dormindo. E foi assim que um jornalista e uma secretária derrubaram o muro de Berlim.
Poderia ser ficção, mas não foi. Quem nos contou este episódio em detalhes foi o guia da exposição no Fórum de História Contemporânea em Leipzig. Ele vivia na parte Oriental e tinha só 10 anos quando o muro caiu. Disse que, na época, não conseguia entender o que estava acontecendo. Só lembra que a viagem pro outro lado do muro pareceu uma viagem pro outro lado do mundo.
Carolina Oddone - TV Globo / Rio de Janeiro
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um
17:44
O aprendizado do deslocamento
No trem de Berlim para Frankfurt, ouvindo “Die roboter” no iPod, um Kraftwerk ao vivo. Ao som dos timbres artificiais de futurismo vintage e do refrão “We are the robots”, tudo – a solidez das pontes, os campos de verdes em degradé, as casas de telhados triangulares – faz um sentido enorme. Um jogo entre os clichês e o que eles tocam da essência a que se referem. Algo como, talvez, um passeio de um gringo pela orla do Rio ouvindo “Garota de Ipanema” nos headphones.
Estávamos, eu e Helga, falando exatamente sobre os clichês dia desses, quando conversamos sobre a passagem de Zé Celso e seu “Os sertões” por Berlim. De como a peça pode ser lida como mero e triste reforço de lugares comuns sobre o Brasil ou como um mergulho na essência ou mesmo um questionamento desses lugares comuns.
I am the robot, tipo isso. The gringo robot.
E ouvir Candeia, o homem da GRES Quilombo, enquanto se olha pela janela do S-Bahn (S5) atravessando bairros de Berlim – “Eles cortam com o machado, eu rebento com a marreta” - também faz todo o sentido. Mas de outra forma, mais funda.
Leonardo Lichote - O Globo / Rio de Janeiro
youtube e youtube
Estávamos, eu e Helga, falando exatamente sobre os clichês dia desses, quando conversamos sobre a passagem de Zé Celso e seu “Os sertões” por Berlim. De como a peça pode ser lida como mero e triste reforço de lugares comuns sobre o Brasil ou como um mergulho na essência ou mesmo um questionamento desses lugares comuns.
I am the robot, tipo isso. The gringo robot.
E ouvir Candeia, o homem da GRES Quilombo, enquanto se olha pela janela do S-Bahn (S5) atravessando bairros de Berlim – “Eles cortam com o machado, eu rebento com a marreta” - também faz todo o sentido. Mas de outra forma, mais funda.
Leonardo Lichote - O Globo / Rio de Janeiro
youtube e youtube
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
um
17:31
"Leitura" através dos prédios
Canteiro de obras. É o que mais se pode ver no Mitte (Centro) de Berlim e no de Frankfurt. Máquinas escavadeiras, britadeiras, gruas, entre outras máquinas pesadas são operadas por corpulentos trabalhadores durante o horário comercial. Obras essas que podem ser consideradas sinônimos de desenvolvimento econômico, investimento cultural e até mesmo resgate histórico de uma população, como é o caso da reconstrução de parte do centro de Frankfurt, próximo à praça Römerberg, onde fica localizada a prefeitura da cidade.
Obras como a do futuro Banco Central Europeu ilustram o status da cidade como centro econômico. O orçamento, antes na casa dos (€) 850 milhões, já ultrapassa (€) 1 bilhão e chama a atenção dos que acompanham o processo de construção.

O contraste entre o antigo e o moderno é gritante em ambas as cidades. A imponente Catedral Imperial de Frankfurt, por exemplo, disputa a atenção de moradores e turistas que passam no local. E, como foi observado durante palestras do seminário, os prédios, principalmente os mais antigos, sempre têm algo a “dizer” ao bom observador, seja sobre sua localização estratégica ou o material usado na fachada arquitetônica.
Entre placas de homens trabalhando e o barulho do martelo batendo no ferro é possível se perguntar: que novas histórias “contarão” os futuros prédios? Natália Souza - G1 / Alagoas
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
um
16:00
Frankfurt: Feira do Livro e um city tour pela cidade
Segunda-feira chegamos em Frankfurt. Sempre tive muita vontade de conhecer a cidade, pela sua história e pela sua importância política e econômica para a Alemanha e para o mundo.
Começamos o dia muito bem. Na minha opinião, o início da programação não poderia ser melhor: uma conversa com a coordenadora do país de honra da Feira do Livro de Frankfurt 2013. E, para nos orgulharmos mais ainda, o Brasil será o país homenageado deste ano. Um fato que nos encheu de alegria. Ali, pudemos ouvir várias curiosidades e informações surpeendentes sobre a feira. E de uma coisa podemos estar seguros, será uma honra ter nosso país homenageado neste evento, imagine o que é ter um pavilhão de 2.300 m2 exclusivo para o Brasil em um evento desse porte. Claro que quando a conversa terminou, fui embora com uma vontade enorme de poder voltar para a Feira, no segundo semestre.
Luciana Katahira - TV Horizonte / Belo Horizonte
Começamos o dia muito bem. Na minha opinião, o início da programação não poderia ser melhor: uma conversa com a coordenadora do país de honra da Feira do Livro de Frankfurt 2013. E, para nos orgulharmos mais ainda, o Brasil será o país homenageado deste ano. Um fato que nos encheu de alegria. Ali, pudemos ouvir várias curiosidades e informações surpeendentes sobre a feira. E de uma coisa podemos estar seguros, será uma honra ter nosso país homenageado neste evento, imagine o que é ter um pavilhão de 2.300 m2 exclusivo para o Brasil em um evento desse porte. Claro que quando a conversa terminou, fui embora com uma vontade enorme de poder voltar para a Feira, no segundo semestre. Luciana Katahira - TV Horizonte / Belo Horizonte
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11:28
Tropeçando na História
Reluzentes no meio de pedras escuras e molhadas pela chuva fina que caía durante nossa passagem por Leipzig --cidade a cerca de 150 quilômetros ao sul de Berlim-- pequenas placas douradas pregadas nas calçadas chamavam a atenção.
Esses pequenos pedaços espalhados pela cidade contam a história das vítimas perseguidas pelos nacional-socialistas e foram colocados estrategicamente onde essas pessoas moraram antes de serem levadas pelo regime.
Para ler o que está escrito nas placas, é preciso abaixar: “Aqui viveu Hirsch Selinger. Levado para a Polônia em 1939. Assassinado em 1942”.
Apenas em Leipzig, são pelo menos 180 placas do tipo.
Renata Miranda - São Paulo
E a primavera chegou em Berlim!... E foi embora no mesmo dia.
Mais ou menos no meio da semana passada, o dia amanheceu diferente em Berlim. Embora seja primavera, nosso primeiro comentário do dia, desde que chegamos, sempre é “ai, que frio!” e suas variantes. Sim, está muito frio em Berlim (aliás, está muito frio em Berlim para nós, brasileiros). Mas, na quarta-feira da semana passada, quando saímos do Instituto Goethe, encontramos uma rua muito diferente. Um sol gostoso nos fez tirar os casacos e me deu vontade de caminhar. Tudo estava iluminado. As árvores, as avenidas, as pessoas. Berlim estava linda! A primavera, definitivamente, tinha chegado à cidade, então, embarquei na luz da tarde alemã (que, na verdade, nessa época do ano, na Europa, vai até umas 9 horas da noite) para andar e aproveitar um pouco da minha felicidade.
Então, resolvi tirar uma foto de uma rua neste dia para compará-la com outra foto que eu imaginava tirar dali a uma semana. Uma espécie de ‘prova documental e jornalística’ do contraste da Berlim pós inverno e da Berlim inundada de primavera. Mas meus planos mudaram porque no outro dia, talvez pelo fato da primavera ser tímida para tantos elogios, ela resolveu dar um passo para trás… o frio voltou com força e nossos primeiros comentários do dia, advinhem?, voltaram a ser “ai, que frio…”. Em abril/maio o tempo pode ser assim em Berlim… chuva, sol, frio, mudanças o tempo inteiro… Bem, ainda que a primavera dos meus sonhos em Berlim ainda não tenha chegado, a cidade é sempre linda.
Luciana Katahira – TV Horizonte / Belo Horizonte
Então, resolvi tirar uma foto de uma rua neste dia para compará-la com outra foto que eu imaginava tirar dali a uma semana. Uma espécie de ‘prova documental e jornalística’ do contraste da Berlim pós inverno e da Berlim inundada de primavera. Mas meus planos mudaram porque no outro dia, talvez pelo fato da primavera ser tímida para tantos elogios, ela resolveu dar um passo para trás… o frio voltou com força e nossos primeiros comentários do dia, advinhem?, voltaram a ser “ai, que frio…”. Em abril/maio o tempo pode ser assim em Berlim… chuva, sol, frio, mudanças o tempo inteiro… Bem, ainda que a primavera dos meus sonhos em Berlim ainda não tenha chegado, a cidade é sempre linda. Luciana Katahira – TV Horizonte / Belo Horizonte
Geschrieben von Goethe-Institut Berlin
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11:13
Alemães anti-fascistas protestam contra manifestações da extrema direita no 1º de maio

Protesto na Alemanha contra o partido de extrema direita - foto: Cinthya Oliveira/Hoje em Dia
Quem estava na região ocidental da cidade na manhã do feriado se deparou com uma multidão concentrada em torno da estação de trem de Ost Bahnhof, numa união de jovens, trabalhadores, intelectuais, famílias e imigrantes. Eram protestantes anti-fascistas dispostos a impedir uma das várias passeatas de direita planejadas para o 1º de maio.
Em Frankfurt, o bloqueio dos movimentos de esquerda foi eficiente. Os direitistas sequer conseguiram passar pelos bloqueios feitos nas linhas de trem em torno da cidade. Cerca de 150 deles ficaram presos em uma cidade vizinha, sem conseguir chegar à sua manifestação.
Caso conseguissem chegar ao local programado, ainda ouviriam uma sinfonia de apitos planejada pelos esquerdistas. Seu lema xenófobo “Não somos a vaca da Europa” não seria facilmente ouvido.
Os direitistas (chamados de “nazis” pelos movimentos de esquerda) solicitaram a realização de uma manifestação em frente ao Banco Central Europeu há cerca de um ano. No mês passado, a prefeitura de Frankfurt se negou a dar a permissão, com o argumento de que poderia haver um confronto violento nas ruas. Porém, o NPD recorreu à Justiça da Alemanha, que concedeu o direito à manifestação, assegurada constitucionalmente.

Jovens, trabalhadores e famílias se concentraram em frente à estação do metrô de Frankfurt - Foto: Cinthya Oliveira/Hoje em Dia
Não demorou muito para que os movimentos de esquerda se organizassem para a contra-manifestação, com o lema “Plataforma por uma Frankfurt cosmopolita dentro de uma Europa social: contra exclusão, xenofobia e antissemitismo”.
Incrível observar o aparato de segurança para evitar um confronto violento em Frankfurt. Centenas de policiais da cidade e de outras vizinhas (como a importante Dresden) foram deslocados para a estação de trem. Arames farpados colocados em torno de todo o quarteirão impediam a aproximação de manifestantes.
Um helicóptero sobrevoou a região durante todo o dia. Uma multidão de agentes convocados protegeram cerca de dez direitistas que conseguiram chegar ao local marcado.
No Brasil, dificilmente um grupo pequeno de manifestantes conseguiria tanta repercussão de segurança, cobertura jornalística e protestos contrários. Mas as cicatrizes da Segunda Guerra Mundial ainda são evidentes na Alemanha. E, mesmo que sejam tão poucos, os direitistas conseguem fazer muito barulho.
Curiosamente, a estação de Ost Bahnhof fica a aproximadamente 400 metros do Museu Judaico da cidade, onde nomes de milhares de judeus mortos no Holocausto estão dispostos em um grande muro.
Cinthya Oliveira - Hoje em Dia / Belo Horizonte
Reprodução por cortesia de Hoje em Dia
* A repórter viajou a convite do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha
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10:42
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