Para minha esposa.
Eram 3 da manhã, estava lá, no relógio do celular, era mais uma das muitas ilusões que trouxe de Teresina e que até agora não tive coragem de destruír, não sei se acredito nisso ou nessas outras coisas por aqui. O dia começa quando o coração nem acordou, nem sei se ele chegou a dormir, bate sempre 5 horas atrasado. Por enquanto, ainda não fiz muita coisa, além de calo nos pés e um almoço inventado com 4 uvas verdes e um pouco de gengibre num cozido de ganso, ou é um parente desse, que me atrevo a dizer que foi o que mais me apeteceu nesses últimos dias. Salânia, querida, com uma dose de grapa, aquela cachaça dos italianos, compro uma garrafa de vinho, daqueles que nós gostamos, desses que custam uns 15 a 18 reais por aí. Um drink de grapa ou whisky custa uns 3 euros o preço de um californiano, chileno ou francês, razoável para o nosso rude paladar tribal. As "bier" é que são as grandes vedetes, lindas e gostosas, mas não me dou muito bem com elas, você sabe. 4 delas me deixaram com uma cefaléia nauseante, mas o problema é meu e não delas. Por conta disso, comprei um californiano por menos de 3 euros, a garrafa, para acompanhar o almoço do ganso, infelizmente não poderei lhe dizer nada agora, fiquei só olhando pra ele, não tinha como abrir, amanhã compro um saca-rolha. Ah, o fogão aqui é de chapa elétrica, tipo resistência, tão quente que se não tirar a panela da chapa mesmo depois de apagado corre o risco de queimar o almoço. Por conta disso, deixei a panela fora do fogão e fui almoçar, terminei depois de algum tempo e naturalmente, ingenuamente arrumei novamente as panelas no fogão, acredite: o ganso voltou a cozinhar.
Desenho feito na mesa de um dos bares de St. Georg, bairro cosmopolita de Hamburgo, onde se pode vislumbrar todas as tribos: