Depois de uma longa greve que colocou em questão a regularidade do calendário da UFPR, o que é um pouco desesperador para quem tem a expectativa de se formar em dezembro e aproveitar uma bolsa de estudos em janeiro, finalmente consegui tempo para postar algo aqui no blog. Desculpas à parte, creio que o período pós-eleições seja interessante para alguns comentários. Pela primeira vez em Curitiba, um candidato vinculado ao PT vence a disputa eleitoral. Essa novidade, porém, não deixa de ter um aspecto já manjado e repetitivo, assim como o candidato vitorioso. Uma novidade conhecida, para jogar com a contradição. Em termos políticos, essa característica contraditória é não apenas cotidiana, também histórica. Com efeito, na história brasileira, frequentemente a aparente inovação traz em si muito do mesmo. É o caso, por exemplo, da transição da monarquia para a república em fins do século XIX, evento muito bem representado pela imagem que podemos observar junto a estes comentários. Representado por um homem decrepto e muito idoso e representando a decadência da ordem monárquica, o anjo da morte ocupa-se em relegar ao passado o último dia de uma era finda; o calendário republicano situado no canto inferior direito anuncia a nova. Eram tempos de culto ao progresso e não se hesitou em expulsar o velho imperador (e, com ele, a monarquia) para se consolidar a república, embora o antigo regime não fosse tão terrível como diziam os republicanos, fato notório ante a experiência política da Primeira República, que logo o elevou a modelo de austeridade pública. A república brasileira era novidade que já nascia velha, representava as mesmas elites, agora livres dos pudores monárquicos - que levaram à abolição da escravidão e a outras medidas populares (no sentido literal), mas contrárias aos interesses dos grandes senhores. Tendo em vista nossa própria experiência histórica, o atual resultado eleitoral não deveria suscitar desconfianças?